JOB
O Roteirista Fantasma
Dez histórias de um contador de histórias
Um homem. 47 anos. Um apartamento. Um amigo que ninguém vê. Até que dez trabalhos cruzarem seu caminho — e com eles, uma psicóloga, um fantasma, uma mulher de cabelo roxo, e a descoberta de que histórias alheias podem ser o mapa para encontrar a si mesmo.

JOB
ARY & O AMIGO IMAGINÁRIO é um registro afetivo de dez encontros que transformaram a vida de um contador de histórias. Mais do que um portfólio ou uma biografia profissional, é uma narrativa sobre a descoberta tardia da conexão humana — sobre o que acontece quando um homem que passou vinte anos conversando consigo mesmo resolve, finalmente, ouvir pessoas de verdade.
A obra se estrutura em dez capítulos independentes mas conectados, cada um dedicado a um job específico. Através deles, acompanhamos não apenas a evolução profissional de Ary — que passa de freelancer recluso a contratado de uma emissora de TV — mas principalmente sua transformação íntima: a descoberta de que histórias alheias podem ser o mapa para encontrar a si mesmo.
Apresentação
Ary tem 47 anos, mora sozinho em São Paulo e conversa com um amigo imaginário há vinte anos. Durante esse tempo, construiu uma carreira sólida como criador de vídeos — roteirista, diretor, editor, faz-tudo — sem precisar sair de casa. Seus clientes vão de multinacionais a youtubers iniciantes, e ele atende a todos com a mesma distância segura de uma tela de computador. O amigo imaginário, uma criatura volúvel que ora veste terno e fuma charuto como um executivo de antigamente, ora encolhe num canto com voz de profeta do apocalipse, é sua única companhia constante.
Mas nos últimos meses, algo começa a mudar. Os trabalhos que chegam pelas mãos de Beto, seu jovem assistente, exigem mais do que criatividade — exigem presença. Uma psicóloga cansada do padrão "pessoas sorrindo em salas brancas" quer um vídeo que mostre a dor real, a bagunça que é crescer. Um arquiteto talentoso pede um vídeo para o escritório, mas com uma condição: ele não quer aparecer, quer que o trabalho fale por si. Uma startup de meditação busca um conceito que fuja da mesmice — e Ary propõe um aplicativo que ensina as pessoas a não precisarem mais dele. Uma senhora de 78 anos, num sítio em Piracicaba, quer registrar a história da casa da família antes que a memória "vá embora de vez".
Cada job é um universo a ser descoberto, uma psicologia a ser decifrada. Mas, aos poucos, Ary percebe que não está apenas criando vídeos — está colecionando encontros. E esses encontros começam a furar a bolha de isolamento que ele construiu ao longo de duas décadas.
No meio disso tudo, uma mulher misteriosa de cabelo roxo chamada Luna cruza seu caminho. Designer gráfica, 38 anos, uma frase no perfil do aplicativo: "procuro quem entenda que silêncio também é resposta". O que começa como mais um encontro casual se transforma em algo que Ary não sabe nomear — e que termina de uma maneira que ele não esperava.
Há também os fantasmas. Não apenas o amigo imaginário, que sempre esteve lá. Mas um fantasma de verdade, que aparece durante as filmagens — Roberto, morto aos 19 anos em 1979, observando a própria família de um canto da sala. E é aí que Ary descobre que seu amigo imaginário talvez não seja tão imaginário assim.
O Folhetim é um projeto que começou em 2016 com a proposta de trazer conteúdos relacionados ao universo da criação, além de histórias e casos que acontecem no mundo dos personagens. JOB foi a primeira história disponibilizada por lá, e muitas outras estão previstas para este ano. Dá uma olhada e se inscreve na lista para saber sempre quando uma coisa nova chega!

